sexta-feira, 1 de junho de 2018

Sobre TERRACE HOUSE

     



         Fim de noite, lá pelas onze horas, zapeei indecisa pelos programas da Netflix, e esbarrei num reality show. Estava, como dizem, órfã de programas assim, então embarquei nesse que parecia ser interessante.
         Estou acostumada a assistir variados tipos de programas, mas esse é de uma forma bem particular, pois não exalta a cultura americana, muito menos a brasileira. Fã de animes, pensei que encontraria nesse uma versão liveaction do que havia aprendido sobre a cultura japonesa e seus costumes, porém quebrei a cara!
         Terrace House é uma série, original da Netflix, onde não há roteiro. Eles providenciam uma casa (e que casa!), dois carros e filmam 24h seis jovens japoneses (3 mulheres e 3 homens), podendo ser até mestiços. Eles levam uma vida normal: saem da casa, trabalham, interagem com os moradores... Enfim, têm vidas normais como qualquer um, diferente dos reality shows que já assisti A única semelhança é ter que dormir naquela casa todos os dias, e só.
         A cultura japonesa, antes conhecida, enriqueceu. Eles são diferentes de nós e algumas coisinhas se destacaram, como as camas (achava que só acontecia nos animes), a maneira de sorrirem (se eles forem dar uma gargalhada alta, eles cobrem a boca com a mão), e a mais "impactante" para mim: o namoro.
        Aqui no Brasil, principalmente nos programas que estamos acostumados a assistir, não demora muito e bum, casal! Lá não, e o processo da paquera pode levar meses! Ainda bem que as temporadas da série são loooongas, e assim dá tempo de acompanharmos a evolução de um casal; de simplesmente colegas de casa até o tão esperado beijo, seguido do pedido de namoro. Ou o contrário. Um dos participantes disse que, para ele, o pedido de namoro tinha que vir primeiro. E, para meu espanto, ele não foi o único a estabelecer essa regra.
        Não foi um choque para mim, para quem já está acostumado com a cultura brasileira isso pode ser diferente.
        Ver um casal finalmente ficar junto é comparado, talvez, a final da Copa do Mundo. A expectativa em torno do que pode acontecer é tanta que, ao ver o casal junto, após longas semanas/meses de indiretas, conversas entre os colegas da casa, encontros, presentes, palavras sussurradas e até o tão esperado beijo, dá até para comemorar com gritinhos de "yay", soltar fogos de artifício e coisas do gênero.
         Eles são muito reservados - e eu respeito isso demais. O bom de acompanhar coisas de fora, sem ser do que estamos acostumados, enriquece a nossa cultura e nos faz enxergar que há muitos outros meios de vida, hábitos e coisas novas a aprender. Quando lidamos com o novo, o novo passa a ser interessante e, por que não, uma forma de nos fazer refletir? Podemos, inclusive, pegar alguns dos seus bons exemplos, como o respeito pelo próximo, tirar o calçado antes de entrar em casa, e ouvir o outro antes de pensar em interromper. Isso é algo que eu estou trazendo para a minha vida e incorporando aos meus costumes.
          Eu poderia fazer uma lista do que aprendi ao ver mais de "perto" essa cultura, mas pararei por aqui. Fiquem à vontade para assistirem à série e tirarem suas próprias conclusões. 
         É estranho à primeira vista? Sim, é, porém se você for analisar com a cabeça aberta, logo se tornará normal.

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